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Beijei o Rato que Comia minhas Pernas

beijei o rato que comia minhas pernas
acordei depois do fim do mundo
há algumas flores no último jardim
o cheiro de mato é só uma ilusão dormente
a cor azul clara do céu é só o desespero de um deus mutilado

não estamos mais sós no final da jornada
temos o medo e a indecisão de amar
temos o desespero e uma coleção de idílios queimados,
despedaçados, trucidados
temos sal e água suja
temos pão e aluguéis vencidos

brilha o olho de um corvo na sombra da árvore branca
as folhas caem, as peles descamam
não há mais tempo
as navalhas já não tem fio
as odes já não tem serventia

vejo alguns amigos dormindo na lama negra
e meus inimigos cospem fogo
e palavras de aconselhamento afetivo

televisão é esparadrapo sujo, livro é animal no cio
o que fazer? sangra a ferida aberta
o que dizer? o metal quente abraça os egos inchados

cessem seus lamentos
a escravidão é o bem que veio para nos livrar de todo mal
a morte não é benção
estar em paz é para os sapatos amarrados
MAXIMILIANO DA ROSA
Enviado por MAXIMILIANO DA ROSA em 17/02/2006
Código do texto: T113229
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Sobre o autor
MAXIMILIANO DA ROSA
Imbé - Rio Grande do Sul - Brasil, 43 anos
24 textos (925 leituras)
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MAXIMILIANO DA ROSA