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A Esquina da Aflição

                   
O patamar, o piso.
Não faço improviso,
mas sei me basear na força da razão, oi!

O patamar, o piso.
Não quero aquele riso
que vai desnortear a minha atenção, oi!

O patamar, o piso.
Se o dente é o inciso,
melhor é não falar na obturação.

   Eu não fiz, eu não quis. Eu não fiz, eu não quis.

O Ribamar, o brejo.
Vou muito além do Tejo.
Só quero viajar na minha inspiração, oi!

O Ribamar, o brejo.
A vida que invejo
de espetacular só tem a empolgação, oi!

O Ribamar, o brejo.
É puro sacrilégio
você se encabular com a própria opinião.

   Eu não quis, eu não fiz. Eu não quis, eu não fiz.

O quebra-mar, o aço.
O esforço que não faço
só posso suportar com a sua aparição, oi!

O quebra-mar, o aço.
Perdi o meu compasso,
que só fui encontrar na esquina da aflição, oi!

O quebra-mar, o aço.
Se a vida é um fracasso,
não vale esperar pela absolvição.

   Eu não fiz, eu não quis. Eu não fiz, eu não quis.

A Guiomar, o ninho.
Só vejo um caminho.
Quem não se desviar, não chega na estação, oi!

A Guiomar, o ninho.
Cadê o pergaminho
pra decodificar a esculhambação, oi!

A Guiomar, o ninho.
Não vou tomar o vinho.
Se o sangue não jorrar, não vale a redenção.

   Eu não fiz, eu não quis. Eu não fiz, eu não quis.


Rio, 28/10/1975
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 21/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T179524

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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