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OLHO D’ÁGUA

Nadir A D'Onofrio

Camuflada, asfixiada,
Nas entranhas da terra mãe,
Decidi me rebelar e à tona aflorar.
Fui surgindo gota a gota...
Clara cristalina.
Tomo a forma de fonte,
Assim... tua sede vou saciar.
Querendo ainda agradar, virei lago!
De sentimentos represada.
Não quero viver assim... rompo as barreiras...
Jorro... sou cachoeira...
Novamente tentam, minha fúria represar,
Terei que abastecer, aldeias, cidades...
Transformaram-me em simples riacho.
Sigo meu curso... cansada,
Quase sem vida...
Deságuo num grande rio,
Sinto-me mais protegida!
Busco uma força maior,
Vou rolando sobre pedras,
Até no mar desaguar...
Agora, sou vagalhão, onda, sal, espuma!
Transmutação mais que perfeita...
Para teu corpo acariciar!

03/12/2003 13:00h
Santos SP



 









Nadir DOnofrio
Enviado por Nadir DOnofrio em 18/01/2005
Reeditado em 28/04/2011
Código do texto: T1804

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Sobre a autora
Nadir DOnofrio
Santos - São Paulo - Brasil
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Nadir DOnofrio

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