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NÃO HAVERÁ NENHUM RESÍDUO


Estou feliz da vida!
Tenho tudo...
desde o amor à ternura
da intimidade ao desejo
e à fartura.
Tenho tudo e de tudo:
nada é silêncio
nada é perdão;
nasci do nada,
sem culpa,
sem vida monitorada.

Respeito a morte
vagueio e escrevo à noite.
Falo baixo,
palavras soltas à sorte,
mas em tudo estudo projeto, permeio, antevejo.
O futuro que assusta é o medo de te perder!
Qual será a relação,
da mão que toca o meu rumo ao norte
com a força que me empurra na imensidão dos sonhos?
Qual será o poema da existência completa,
universalmente repleta,
de vida, morte e revolução.

Não restará nenhum resíduo,
nem ao menos uma última esperança?
Será o fim da mobilidade do indivíduo,
caçada em gestos: vingança?
Não restará nenhum ponto no infinito,
nem o inexplicável futuro do tempo.
Será o fim do momento mais bonito,
Tudo, todos, palavras e poemas arremessados ao vento?

Minha conexão entra em comunhão,
sons pelos ares, profusão de artérias,
estrêlas, mais corpos em guerra!
O Universo em expansão
decompondo poemas e anti-matérias.

Não busco mais a rima, só a poética do tempo.
Não busco uma só vida,
só um sentimento
busco uma só morte
tudo e nada, intensidade num momento.

Penso em minhas memórias perdidas:
passado!
O tempo passado a limpo!
Caminho a passos alegres na madrugada fria,
passos largos e alegres descalços e certeiros.
É como seguir paralelas, compassadamente,
buscando o que já tenho de melhor.

Certamente,
um coração em ruínas
reconstruído fielmente
sem remorsos ou amarguras.
Canto meu canto, afino minha partitura.

Sigo correndo com uma vontade louca,
sorrir diante de tua beleza: viver a vida!
Sorrir piedosamente
de sua inutilidade. Imensa e injusta
chorando continuamente da própria sorte
diante de si mesma, tensa e robusta
indubitavelmente com medo da morte.

Relembro minha infância
meus versos pequeninos
desengonçados, ridículos,
rimas secas, tolas palavras absurdas.
Relembro as cenas das minhas risadas noturnas
e da imensidão dos sonhos desejados e inúteis
caminhando subitamente sob a escuridão poética das noites.

Distraio-me, disposto deliberadamente a fingir, a contra-gosto
certo de que já sei de tudo. Sabiamente sabido!

Tudo o que foi, é, e será,
sem permear a irrealidade do meio
e ao mesmo tempo, esperneio,
pela brevidade do amanhã,
pelas cores belas da explosão da estrêla anã,
por tudo que foi, é, e será:
_destino certo, rosto coberto, vida vilã.
Quem saboreia seu próprio aroma de hortelã?

Não desprezo o sonho, porém,
vivo a realidade do mesmo, imortalizado.
Não aceito a vida como ela é,
não desprezo o sono bem intencionado,
penso em outros mundos,
em existências passadas,
em futuros indecifráveis,
que impressionam nosso presente,
presenteando poetas fantásticos,
eloquentes “humanofrásicos”,
inexistentes versos básicos,
universalmente estáticos.


NÃO RESTARÁ NENHUM RESÍDUO, 

sigo obstinado dentro do meu próprio labirinto,

NEM AO MENOS A ÚLTIMA ESPERANÇA.

sigo desesperado meio homem meio menino.

FIM DA MOBILIDADE DO INDIVÍDUO


sigo vorazmente sem medo, o bater do sino,

CAÇADA AOS GESTOS: VINGANÇA!

procuro porta, portal, passagem, meu sonho de pequenino.

NÃO RESTARÁ UM PONTO NO INFINITO,

sou príncipe, rei vaidoso e orgulhoso da história do meu hino,

NEM O INEXPLICÁVEL FUTURO DO TEMPO.

sou vida e morte fidedigna, insaciávelmente dona do meu destino

FIM DO MOMENTO MAIS BONITO,

meu labirinto menino, meu sino pequenino, meu hino: meu destino!

TUDO, TODOS, PALAVRAS, POESIAS AO VENTO.



Dedicado ao meu filho... Sthefan Carvalho!

- AVIENLYW - (7/12/2003)
WILDON LOPES
Enviado por WILDON LOPES em 26/06/2006
Código do texto: T182937
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Sobre o autor
WILDON LOPES
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
269 textos (14455 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 09:46)
WILDON LOPES

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