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qual é, pô?

qual é minha sozinha
que a menina vai ficar
qual é minha chapinha
que o menino vai ganhar

qual é minha sopinha
atormentada vai ferver
qual é minha rainha
que não vai me aborrecer?

     qual foi meu desenlace
     que ensejou a confusão
     qual foi o meu disfarce
     dentro da encenação

     qual foi a sobremesa
     que ela disse que queria
     qual foi a sutileza
     que eu não disse que traria?

qual muita juventude
disfarçada deu no pé
qual muita concretude
amealhada no chulé

qual muita paciência
na escultura da maçã
qual muita obediência
ao cheiro de uma hortelã?

     qual era a espingarda
     e o seu beijo vingador
     qual era a empregada
     que zombou do zelador

     qual era a ressonância
     dos suspiros da vizinha
     qual era a relevância
     do aconchego que eu não tinha?

qual tanto resultado
do esqueleto de uma vida
qual tanto apropriado
é o corte da ferida

qual tanto testemunho
tinha o murro da vergonha
qual o tanto desse punho
numa vida enfadonha?

     qual o fim dessa desgraça
     sinto a graça no saber
     qual o fim, se tudo passa
     desde o fim do anoitecer

     qual o fim de uma criança
     que não come a papinha
     qual o fim da esperança
     se eu usar a camisinha?


Rio, 29/06/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 29/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T184217

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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