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FACE A FACE ( 031604)

Ver meu espelho  refletindo em minha sala
Pendurado na parede, distorcendo minha cara
Ver meus podres sentimentos, ver  meu eu
Minha enigmática mente...

Ver o  meu portal  aberto, minha terceira dimensão
Meu superego inchado, minha dor, meu coração...

Ver  meus limites  deixados, meu sonhar, minha ilusão
Ver  minha cara  face  a  face, meu viver, minha perdição...

Já  não falo de meu  eu, de minha face  mentirosa,
Do  reflexo  permitido,  nem  da  beleza da  rosa
Nem  do  espinho  que fere a superfície da   pele
Nem  das pedras  no caminho para o meu interior
Nem poesias  ou prosas que  aplaquem minha dor

Bebo o chá amargo dado, para curar a ferida
Nada é mais amargo então que todas as suas partidas
Uma pra  poder sonhar, outra para se iludir
Outra que me faz  chorar, noutra  resolvo ir...

Face a face com o meu eu, duro é  ter que descobrir
Que a minha face interna nunca esteve então alí
Que escondi a minha face   para nunca  permitir
Que doesse desse  jeito quando então  te ví  partir

Não sonho mais  os  teus  sonhos,
não  fico com teu silêncio
Não faço mais  tuas  viagens,
não luto,  não  perco, não  venço....

Querer tua  face  assim,  colada, grudada em mim
Sendo o meu próprio  castigo, é  loucura,  é devaneio,
vou  sair,  fugir da  sala,  arrebentar  meu  espelho,
quebrar  todos  os  espinhos que sangram  então minha alma
tirar as  marcas  da face e aliviar esse peso

Ver minha cara face a face, saber que sou eu o medo
De paixões  alucinantes, de  amar e ser amante
Conversar com o meu silêncio, escapar, romper
a  grade,  me libertar  e viver intensamente.

angela soeiro
Enviado por angela soeiro em 08/08/2006
Código do texto: T211938
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Sobre a autora
angela soeiro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 52 anos
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1 e-livros (36 leituras)
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angela soeiro