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O Clarão da Trovoada

Contanto que seja quase que não
A alvura do pensamento sutil
Envolve no celofane a razão
E volta pra onde ela fugiu

Com tanto saber de loucura o perdão
Ajuda a manter o equlíbrio infantil
Por mais que corressem, a salada e o sermão
Couberam na mão do deserto senil

No mês de abril a maior estação
Não cabe no trem que agora partiu
De longe existiu o aceno da mão
Pintando o rosto de alguém que não viu

Fingiu escolher a maior solidão
Tentou me dizer que o amor não surtiu
O efeito do fato da fustigação
Na calada do sono que a possuiu

De pernas pra cima correu do avião
Que voava baixo, mas nunca caiu
Botou a criança no colo e o patrão
Fingiu que olhava, mas logo sorriu

O vento não vinha ventando no vão
Da porta que eu tinha pintado de anil
E a minha vizinha trouxera meu pão
Porque seu marido não a possuiu

E com o estandarte da cor do açafrão
A porta-bandeira ruidosa saiu
O samba que tinha a cor do perdão
Também tinha a cor do metal varonil

Fiquei na soleira da minha pensão
Pedi bananada, trouxeram-me abiu
Sorri descansado, não vi o clarão
De uma trovoada que me demoliu.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 19/08/2006
Código do texto: T219835

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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