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A gerra

Brilha, mas não reluz,
O sol quente e fresco
Nas pontas das flechas
Duns serafins azuis.

Longe, o escudo escuro
Quebrou num fragor,
Em fragelos singelos,
Na torpeza da dor,
Na força do prelo.

Há um grande odor,
Daquele suspiro,
No ar, no vazio,
Nas negras nuvens,
Nos relâmpagos constantes.

Cai chuva, dissolve o sangue,
Derramam no chão as lágrimas
Friamente retiradas
Daquelas aves deitadas;
Banquete aos corvos,
Carícias da solidão.

E vem correndo,
O jogo, a morte, a sorte,
Tudo o que há de ruim,
A luz revigora as aves caídas:
- Que levantem os anjos e os serafins!

Reviravolta inesperada,
Nasce o sol fortificando a boiada,
Matando e dissolvendo a praga
Que é absorvida a um retorno
Ao subsolo sombrio.

Brilha e reluz
O sol belo e fresco,
Nas cordas das harpas,
Dos serafins azuis,
Dos anjos pitorescos.

Nasce o sol, morrea guerra;
Num crescer da nova era
Há vida subtil, enfim.

Michel Serpa
Michel Serpa
Enviado por Michel Serpa em 17/11/2006
Código do texto: T293901
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Sobre o autor
Michel Serpa
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
55 textos (1441 leituras)
1 e-livros (46 leituras)
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Michel Serpa