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Quatro heterônimos disputam o corpo de um poeta

Eu jamais fui a Lisboa
nem sei as águas do Tejo,
mas em sonho a gente voa
e o leme do meu manejo.

Posto assim não me atordoa
viajar no imaginário;
posso ver os campanários
e ouvir os sinos que soam.

E em meu sonho estou passando
pelas ruas centenárias
quando uma cena entre várias
vai aos poucos se aclarando:

Vejo uns homens discutindo
ao redor de um corpo morto...
Finado sim, mas sorrindo;
sinto um certo desconforto.

O passo lento eu retardo
e apuro o ouvido. – É Caieiro.
Um outro é Campos. Bernardo
parece ser um terceiro.

O quarto homem é Ricardo
e quem mais grita, agitado.
Mas qual o nome do fardo
aos seus pés depositado?

Só falta o nome do morto
e a razão de tal contenda.
Sou curioso, por senda,
mas tomo o rumo do porto...

“Levanta daí, Fernando!”
O grito, na noite, ecoa.
Acordo. O corpo suando
e ligo o nome a Pessoa!
Poeteiro
Enviado por Poeteiro em 18/10/2005
Código do texto: T60728
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Sobre o autor
Poeteiro
Santos Dumont - Minas Gerais - Brasil
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Poeteiro