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Do Passado ao Presente

Como atingir-te alma presente?
Teu cinismo, tua negação
Sou a te amar, a te servir.
Como despertar-te alma ausente?
Deste sono letárgico, mover-te?

Serei eu a gritar este pretérito rouco?
A lançar e repetir como um louco, roto?
O som do colibri / neste céu de estrelas cadentes?
É o livro, a história, a poesia.
É o mito, a ciência, a filosofia.
Das civilizações mortas, os sobreviventes.

O que posso oferecer-te? NADA!
Porque nada queres que parta de mim.
Sou a herança simbólica do mundo
Como fazer-te sentir, a melodia que vivi?
Que me faz adentrar
No palácio das veredas do tempo
Esse vendaval de folhas secas.
Tudo parece ruir.

No império do efêmero
Não vejo, não pressinto
A constância poética do nascer dos dias.
Dá-se um nó na garganta
Ao pensar nesta geração
Órfã de si mesma
Sem o cenário que preenche, ausente.
Porque o novo amanhece
E o crepúsculo se dá, simultaneamente.

És intolerante
Narcísico, não possuís preceitos
Pura negação, sem explicação.
O nunca gritado aos quatro ventos
Constroes o mundo na minha ausência
Do fruto oferecido, rejeitas o maduro
Impermeável à inclusão no tempo
Eu que a vida a ti entrego.
Porque és o futuro.

Quanto a mim? - Sou o passado.
A experiência, a marca do sagrado
A dor de vários dias e tons.
Rejeitas minha orientação
No entanto, não há sentido em ser
Sem te tocar, oh! devenir.

O que será de ti? sem nostalgia?
Lançado ao acaso, no vazio do tempo
Castelo de areia exposto ao vento.
Se tua força está em me percorrer. (Não o fazes)
Serás frágil alvorecer sem guias
Entregues à arrebentação dos dias
Poderás a velhice e decrepitude vencer ?
Porque destas águas haverás de beber.



- revisado, não quis apagar o original -
Maria Rita Pereira
Enviado por Maria Rita Pereira em 24/08/2007
Código do texto: T621383

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Sobre a autora
Maria Rita Pereira
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Maria Rita Pereira