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CASA DE MADEIRA

Casa de madeira numa rua sem saída,
Numa rua larga,grande e deserta,
Madeiras finas com frestas para a estrada.
Dali via o mundo,sonhava e a baba caía.
Esperava o pai apertando os pães num braço
E no outro as cartas para entregar durante o dia.

No fundo do quintal,bonecas eram enterradas,
Brinquedos eram esquecidos na terra ensopada,
Papai Noel xixado levado por uma nova criança.
Dei cadeiradas na porta da casa de madeira torta,
Deixou-me ofegante por alguns instantes,mexer os nos,
Encontrar o ponto de partida,desarrumando o avesso.

Que bom fazer barquinhos de papel e dar pra gurizada
Colocar nas poças da água em dias de chuva.
Velhos carnavais de rua, saudosos.
Mascarados de porta em porta pedindo dinheiro,
Batendo nas latinhas.Carnaval das serpentinas.
Mistura do sabor doce do colorido da infância
Com o ranço dos incertos dias.

Um dia passei a língua no ferro, no outro;
Passei uma nova esperança.
Casa de madeira da Othon Corceito,
Será que era assim que se escrevia?
Tinha sete anos,os históricos acontecimentos
Estavam dentro da casa da rua com saída.

As paredes tinham sombras,
grandes companheiras da noite.
Olhava para elas e....inócuas sombras que eu temia.
Todos os dias na porta da rua,
Um homem de estatura mediana voltava ébrio,
Entrava na ébria casa de madeira,
O homem... tecia enganos, eu... tecia sonhos.
 
Ecila Yleus
Enviado por Ecila Yleus em 06/09/2007
Reeditado em 04/07/2008
Código do texto: T640748

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Sobre a autora
Ecila Yleus
Recife - Pernambuco - Brasil, 64 anos
328 textos (10436 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 11:41)
Ecila Yleus