Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

AMPULHETA À PILHA

Ontem eu esperava por hoje.
Estou aqui.
Não me sinto diferente por descobrir
Que não há nenhum hoje e nunca haverá.
Só há o ontem por me lembrar dele,
Só haverá o amanhã porque
Anteontem hoje era o futuro.
Ficar trancado dentro de um relógio
Pode fazer com que você entenda o mecanismo,
Mas não vai fazer descobrir como funciona o tempo,
O instante do nascimento das primeiras cordas,
O relógio do nascimento,
O berço das horas,
Como é que se balança
E se move as primeiras hordas...
Talvez até encontre o cofre onde Ele guarda
Todos os ontens de sua vida,
Qual o verdadeiro ontem de hoje,
No tempo que não haverá amanhã.
Toda vez que ali chegar
Estará praticando a ausência do agora,
Inpresença de motivos para se comemorar
Qualquer data que se possa pensar,
Datas são números desenhados nos úmeros
Dos centauros que passeiam pelo espaço
Ausente de gravidade pois onde não há sarilho
Não há balde.
Como se vê, o que escrevo agora é irrelevante,
Não há um saco de tempo guardando nossos instantes,
Apenas estar aqui é que é constante,
Ou então quando estiver passeando pelas redondezas
Descubra quanto tempo passou até ter certeza
De que seu relógio parou de funcionar,
Se pôs ausente de movimentos, pôs-se a sonhar;
Nesse momento, lá dentro, perceberá
Que já não mais valem os juízos de valores;
Que andará pelos corredores do shopping
À procura de uma loja que te venda,
Com alegria, uma ínfima peça, uma pequena bateria,
E, sorridente ao vendedor, comprará como se fosse remos,
De novo descerá a corredeira do tempo que havia parado
Dentro do teu relógio que aguarda a corda bastarda
Que moverá teus dias, teus ontens, amanhãs,
Teu hoje que nada mais é do que o tempo palavra,
Caiaque cor mostarda, a navegar o rio de Tudo
Em busca da nascente do Nada.

Preto Moreno





Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 07/05/2006
Reeditado em 23/05/2006
Código do texto: T151903

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Orivaldo Grandizoli). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
6780 textos (102538 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 10:50)