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mamãe

minha mãe mandou, vá trabalhar
minha mãe mandou, vá se enxergar

minha mãe mandou, traga dinheiro
minha mãe mandou o ano inteiro

minha mãe mandou, desça daí
minha mãe mandou, larga o gibi

minha mãe mandou, coma de tudo
minha mãe mandou, seu linguarudo

minha mãe mandou que eu saísse de casa
e voltasse com a vida arrumada
com ou sem faxineira
que era besteira casar muito cedo
que eu tolerasse um emprego qualquer
que eu não tomasse muito café

que eu me vestisse sobriamente
que eu me lembrasse: quem cala, consente
que eu não falasse de boca cheia
que eu não jogasse com bola de meia
que eu não fizesse meia no mato
que eu não viesse com carrapato

minha mãe mandou que eu fosse um guru
e não um guri igualzinho ao Adão
mas que eu não fosse qualquer sacristão
que padre não vale a água que bebe
que nunca se escreve o que ele diz
minha mãe mandou que eu fosse feliz
e eu tô aqui pro’cê vê quem eu sou


Rio, 12/06/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 13/06/2006
Reeditado em 13/10/2006
Código do texto: T174486

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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