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Sereia Seria

Roubaram os afagos do mundo,
imaginados na areia.
O sono não era profundo,
a mente descansa e tapeia...
O que lhes parece fecundo –
o mar, a maré muito cheia –
por certo estará lá no fundo,
no fundo com alguma sereia.

O apocalipse inventado,
o renascer da heresia,
o óleo que foi besuntado
nos corpos de pele macia.
O riso não era esperado
na reza que se oferecia.
Alguém batizou de pecado
o fogo no peito que ardia.

Cabocla correndo descalça
com seu estandarte na mão.
Lá longe o pintor lhe realça
no brilho do olhar a paixão.
Com seu vestido sem alça
sem cor, sem valor, sedução,
se joga pra dentro da balsa
com sonhos fugazes que vão...

Dobrada a vontade do vento,
o barco orgulhoso se vai,
enquanto na areia o aumento
do peso do mundo não cai.
De baixo pra cima, o alento
da dor se conteve no “ai”;
de cima pra baixo, o momento
do amor que não se subtrai.

Os corpos cansados, caídos,
cobertos com a luz do clarão,
parecem que estão protegidos
pelo calor da expressão
de sofrimentos partidos,
gerados naquela estação
de trens que se foram sortidos
de pensamentos em vão.

Todo desejo profundo
cabe num grão de areia.
Queixo levando pro fundo
uma cabeça tão cheia
do que não há nesse mundo,
do que a luz não semeia,
com exceção de um segundo
nos braços de alguma sereia.


Rio, 05/05/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 20/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T178791

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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