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me eu

singularidade ostensiva
a vontade de ter reunida
mais de uma vontade na vida
saiu sem sentir a partida
fugiu com a aurora esquecida
chutou o boné pela estrada
comeu a comida esquentada
a mão não queimava a marmita
pensou no que tudo que habita
o lado esquerdo do peito
notou que havia um defeito
no corte da sua camisa
e que era viril e incisa
a cicatriz contraída
na cara cansada e marcada
por tanta saudade e conforto
adquiridos no porto
da ilusão consumida

       lá embaixo passou a barata
       vestida de freira e de fato
       havia no concubinato
       a exatidão do crepúsculo
       as patas do gafanhoto
       pintavam de verde o chão
       no colo do ancião
       o velho e o mal se confundem
       a graça da borboleta
       pintada de ocre e de anil
       foi tudo o que ele não viu
       pois não quis entrar no museu

              me chama, me bate, me eu
              me engano como o filisteu
              perdeu o artístico dote
              ralou e se foi num pinote
              mas eu me imiscuo, me chamo
              me arguo e até me reclamo
              me invado de um corpo infeliz
              me calo como a meretriz
              que dá sob a condição
              de nunca perder a emoção
              de assoar o nariz


Rio, 23/06/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 28/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T183672

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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