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Sei lá

Sei lá,
me lembro que às vezes tinha tempo pra pensar,
e quando a chuva caía, ela me atingia.

Sei lá,
tudo o que fiz me parece mal feito,
e hoje não sei se faço alguma coisa relevante.

Sei lá,
só sei que o espelho me convenceu, há algum tempo...;
e meus pés vão pisando o firmamento aqui da terra.

Sei lá,
havia muitas vontades, muitos sonhos e ambições:
talvez o número deles é que tenha prejudicado todos.

Sei lá,
só sei que desvio de tudo, cada vez mais parecendo um carro,
e num dá mais pra subir numa mangueira...

Sei lá,
talvez tudo seja brincadeira,
foi assim que, parece, me ensinaram.

Sei lá,
muitas coisas morrem, desaparecem
e é inútil tentar ressurgi-las,

    e se ressurgissem, não seriam o que foram,
    isso acho que sei.

Sei lá,
é tudo tão explicável, tudo tão computável,
mas ainda assim, como fico confuso...

Sei lá,
só sei que não queria ter ânsias,
talvez preferisse ter medo, nunca a dúvida.

Sei lá,
talvez não me achasse satisfeito,
talvez precisasse de um outro defeito,

    o passado, o presente, o futuro
    imperfeitos...

Não adianta,
deixa eu terminar a minha declaração do Imposto de Renda.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 03/08/2006
Código do texto: T208038

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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