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Andando sem Vontade

Rara noite de sábado.
A lua no céu é cheia
e uma ceia ao ar livre ilumina.
Meus passos são vagos,
andante sou eu
sem rumo,  sem vida
sem sorte, guarida,
sem o que escolher...

Rara noite de sábado.
A lua lá no céu é tão cheia
que uma ceia, o quintal, meus sapatos,
tudo ela ilumina.
E me amofina o pensamento
de na ceia não estar.
Mas pra que este lamento,
se eu não quis aceitar?

Já nem mesmo sei quem sou.
Frase cansada, porém a mais indicada
para essas horas de milhares de desejos,
muitos sonhos, e nenhum amor por algum deles.
E o pior é que isto se dá
com tudo na minha existência,
sem que a menor providência
eu seja capaz de tomar.

Vi num dia raro presente da natureza:
numa loura, uma alteza de olhos verdes, atraente.
Mas imediatamente uma morena surgiu.
Eu com as duas na cama,
nenhuma das duas me engana.
Sei que é impossível, distante,
mas sei como é tão  importante
a distância que o desejo reduz.

Vou seguindo meu caminho,
relutando, mas sozinho,
que é pra ver se vou me achar.
Mas é tão grande a estrada,
como o tudo que tenho que é nada,
que o fim não vai chegar.
“Vontade é coisa que dá e passa”.
Acho até graça.

Quantos desejos se foram,
quantas vontades ficaram,
e muito pouco mudaram.
Que bom se elas sentissem
a vontade que eu tenho
de delas me desfazer,
pra só com uma ficar
e começar a viver.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 07/08/2006
Código do texto: T210813

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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