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Ninguém Queria me Ouvir

Ninguém queria me ouvir
O cheiro doce das flores
Crescendo soltas no mato
Frieira, coceira no pé
Como aperta o sapato

Ninguém queria me ouvir
Eu quis correr, me joguei
Na areia branca e bonita
Estava a imagem, eu sei
Queria sujar minha roupa
Meu pé do sapato tirei

Ninguém queria me ouvir
Navio já vai bem distante
As ondas do mar me enlouquecem
O céu de azul me aquece
Queria sorrir um instante

Ninguém queria me ouvir
É mato, coqueiro, banana
É índia morena, bem solta
Serpente que passa e ameaça
É índia morena e cana
E se não é índia, é cama
Na qual amanheço sozinho

Ninguém queria me ouvir
Os pássaros sei onde estão
A água do rio onde nasce
A grama onde cresce tão verde
O milho, o trigo, o avião
Que passa lá em cima por mim
Que passa sem ameaçar

Ninguém queria me ouvir
E eu, tinha o que falar?
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 08/08/2006
Código do texto: T211577

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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