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Poema póstumo

Numa sala vazia, os pensamentos indo e voltando num vai e vem constante; num desatino da razão, como que fora da realidade, as lembranças me assombram; os meus erros me vêm e rompem à barreira que me protege de mim. Meus olhos vêem o que antes não viam e eu, na condição de aberração que me tornei, faço coisas que já nem sei.

No tic-tac de um relógio qualquer, percebo o tempo que já perdi e o tempo que já não me resta para tentar mudar o que não pode ser mudado, para tentar consertar o que não tem conserto. Falar coisas que nunca falei à pessoas que mereciam ouvir; verdades do quanto as amo, do quanto adoraria que estivessem sempre perto de mim. Mas na escuridão em que vivo, meu peito endurece, selam-se meus lábios, minha voz emudece e as palavras não saem.

Falta-me o chão, a tristeza me corrompeu; o que era de mim já não existe mais, e os dias já não são meus. As pessoas que perdi, a felicidade que não encontrei, as coisas que não falei, tudo; agora em meu túmulo penso, como nunca pensei.
Danielle Rodio
Enviado por Danielle Rodio em 09/08/2006
Reeditado em 28/08/2006
Código do texto: T212590
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Sobre a autora
Danielle Rodio
Paranaguá - Paraná - Brasil, 29 anos
8 textos (627 leituras)
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Danielle Rodio