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A CELA

Não me lembro como vim parar nesta prisão
Só sei que fui condenado sem julgamento,
A esta perpétua pena de sofrimento
Da qual não posso escapar são.

Longe de uma cela convencional,
Aqui não há grades ou grilhões,Alas ou pavilhões.
Há apenas uma cama normal,
Sobre a qual cumpro minha pena capital
Cercado por máquinas de tortura,
Que me condenam a uma vida vegetal.

Cativo de meu próprio corpo,
Fui condenado à vida.
A passar meus dias como um corvo:
Espreitando a morte,
Tão desejada, mas proibida.

Não posso ouvir,
Não posso falar,
Sequer sou capaz de me movimentar
Dos meus sentidos, restou-me apenas a visão,
A aumentar a tortura dessa prisão.

Diariamente,
Tenho uma sonda a me regar,
Sou um hidropônico bem tratado
E consciente!
Gostaria de estar em outro estado:
Quiçá decomposto,
Putrefato!

Mas quem ouve o que conta os meus olhos?
Quem é capaz de entender, por trás deles,
Os sinais que desesperadamente envia?
Será que outra mentecapta ria?

Creio que não,
Pois os sinais vão todos assim,
Truncados.
E meus carcereiros,
Meros empregados,
Detém apenas as chaves da prisão.
Temendo por leis que atam suas mãos
E endurecem o coração.

Vivem distraídos, em suas cândidas vestimentas,
E nem percebem minha lágrima teimosa
Que implora por clemência!
Apenas se aproximam com suas ferramentas
Para cumprir sua cruel rotina de tortura
Manter a cela limpa e bem cuidada,
Para que a pena seja perpétua enquanto a cela dura.
Roger Beier
Enviado por Roger Beier em 12/08/2006
Código do texto: T214785
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Sobre o autor
Roger Beier
São Paulo - São Paulo - Brasil, 39 anos
44 textos (4907 leituras)
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Roger Beier