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Apenas um Segundo

Cansada de estar procurando pela origem da vida,
Parei na praia, buscando a concha na areia perdida.
O sol queimando meu corpo que a onda molhou, esquecida
Da primeira vez que ela veio ao encontro da areia do mar.

Do pensamento a passagem totalmente impedida.
No fundo aquela imagem seria desobstruída
Quando eu, caminhando bem solta e muito mais atrevida,
Pudesse pensar com vontade no que esperavam de mim.

O vento tocou meus cabelos, meu rosto beijou sem vontade;
A onda deixou no meu corpo o sal que queimou de verdade
De baixo dos raios de luz, brilhando com intensidade,
Mostrando-me que a realidade da vida não se contradiz.

Parei de repente de novo. O pensamento não vinha,
Por mais que me achasse vulgar, pensando que fosse a rainha
Que me disseram que eu era quando dez anos eu tinha.
E vi cada vez mais distante o que eu queria encontrar.

Malgrado aquele momento, voltei na areia a mexer
As pernas que não me ajudavam, não iam me obedecer.
Mas eu precisava pensar, mas eu precisava temer,
Correr, me jogar, esperar pelo princípio do fim.

Mas a gaivota no alto me fez suspirar e sorrir.
Do pelotão ia à frente, querendo talvez exibir
Aquela conduta imponente que pode até sugerir:
Não quero mais que um segundo pra ter tudo aquilo que quis.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 16/08/2006
Código do texto: T217483

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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