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As Entranhas do Terreno

No vale verde de montanhas
o chão se abriu sob seus pés
quando ele quis conhecer
a outra face da verdade.
E, sem que houvesse tempestade,
a velha terra lhe sorriu,
mostrando-lhe a gengiva vermelha
e bem abaixo o fundo escuro, sutil.

Curiosamente seu corpo foi projetado para cima
antes de ser tragado pelas entranhas do terreno.
Depois ele foi descendo –
ficava cada vez mais fundo,
ficava cada vez mais preto –,
demorando-se bastante nesse percurso "inside".
Alguma coisa lá dentro o invade
na busca do pensamento que sumiu.

Aí ele resolveu admitir
que seria melhor se ele pudesse acordar
agora em seu quarto escuro,
e abrir com raiva a janela
pra se deparar com a tela
de um Raphael que não viu,
ou com aquela flor na lapela
que nunca um dia ele usou.

Mas nas entranhas do terreno
não tinha música barroca.
Que louca que vem, Madalena, me ouvir,
agora que alguém já não tem
aquilo que possa escutar.

                                       
Rio, 28/04/2005
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 31/08/2006
Reeditado em 31/08/2006
Código do texto: T229225

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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