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nevoeiro na vidraça

quando bate o nevoeiro
na vidraça do meu quarto,
sei que tenho o mundo inteiro,
mas ainda não me farto

posso ter a esperança
e depois a alegria,
porém nenhuma daria
pra encher a minha pança

dialogo com a tristeza,
não aceito o seu sermão,
mas não fujo da certeza
de entrar em depressão

nevoeiro na vidraça
só tem graça se a ferida
está seca e a ameaça
de voltar foi esquecida

mas se a chama da incerteza
permanece assim acesa,
nevoeiro na vidraça
mostra que ela não passa

e me induz a uma presença
que me escurece o dia
porque traz essa doença
de pensar na alegria

alegria não se pensa,
alegria a gente sente;
tenho uma vontade imensa
de que o sol se apresente

sinto a brisa da saudade
e o fulgor da solidão
e uma falta de vontade
me encharcando o coração

nevoeiro me comove
com a sua eficiência,
mas sei que não me demove,
tenho alguma resistência

tenho os olhos bem abertos,
mas é pouco o que vejo;
o que enxergo são desertos
que não têm o que desejo

mas será que eu procuro
alguma coisa mesmo enfim?
perguntei isso pra mim;
estou doente e não me curo

peço que isso acabe logo,
peço a alguém pra me acudir,
peço a Deus e enquanto rogo
lembro que quero pedir

que esse nevoeiro passe,
siga em frente e me esqueça
mesmo que um novo um impasse
como esse me aconteça
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 13/09/2006
Código do texto: T238940

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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