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Trova do Culto Proibido

Minguo e desprovido estava
Chance escassa. Quase nulo,
Um fio de socorro chulo
O que ainda me restava

Eu: torpe misantropia
Ela: inerte algidez
N’Aqui seu ser se desfez
O Aqui o ato acumplicia

O Aqui deserto, noturno
O campo dos esvaecidos
O Inferno dos esquecidos
N’Aqui eu agia soturno

Envolvia envagido o vulto
Sua tez grisálida e fria
Suas graças minha abadia
Minha libido e meu culto

Despia qualquer formalismo
Recitava as ímpias liras
Ardia-a em sua própria pira
Num ato de vandalismo

E o órgão ávido trovejava
Trinava um coro de luto
De sordidez e de surto
A tal harmonia me guiava

A fremente marcha fúnebre
Lograva na vida minha
A sua doce vida ida
A sua fresca charme pútrefe

Meu vagido se esvaía
Tornava-me turbulento
Enquanto o som do instrumento
Dançava na graça fria

E o badalo se ia também
Libertava-me saciado
Últimos trilos cansados
Já voltava a ser alguém

Ela sorria inexpressiva
Já saciada num além
Abandonava-me aquém
Na matéria corrosiva

Findo o culto...
Oh! Perdição acometida!!!
Erich Leistenschneider
Enviado por Erich Leistenschneider em 12/10/2006
Código do texto: T262983

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Sobre o autor
Erich Leistenschneider
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 27 anos
16 textos (653 leituras)
1 áudios (166 audições)
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Erich Leistenschneider