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Lady Rose

Todos sentados se aquecendo à lareira
as poltronas macias e aveludadas
o chão fofo do tapete, e a esteira
pequenina da bandeja de torradas
e o chá que a empregada vai servindo
e a música que o barbudo vai tocando
e já todos bem alegres e sorrindo
e já todos inocentes entoando

                       Lady Rose, ma Lady Rose,
                       ma lady, ma rose, ma Lady Rose

E a família começou a brincadeira
com o estranho, agora todo mundo ri
a sogra acha que isso dura a vida inteira
o velho em cada um vê um pouco de si
há vários copos, vários pratos e a comida
é tão sortida que ninguém nem se lembrou
vem um lourinho só com três anos de vida
e leva a Lady Rose e o povo gargalhou

                      Lady Rose, ma Lady Rose,
                      ma lady, ma rose, ma Lady Rose

O mais cansado, o mais calado está alegre
e como todo mundo ele também ri
o riso é posto, é de desgosto, estou com febre
mas tou teimando e vou bincando de existir
e se sentou numa poltrona a moça bela
vários olhares quase morrem de emoção
encabulada, ela fingiu não ser com ela
pra disfarçar chamou o grupo e a canção

                       Lady Rose, ma Lady Rose,
                       ma lady, ma rose, ma Lady Rose

A vida é tola, o exorcismo, a liberdade,
a falsidade, o egoísmo, o Viet-Nam
e os problemas que afligem a cidade
e a influência poderosa do Tio Sam
são as conversas das pessoas de idade
a garotada vai gastando a importação
sempre brincando e agora numa de igualdade
todos emprestam a sua voz nesta canção

                     Lady Rose, ma Ldy Rose,
                     ma lady, ma Rose, ma Lady Rose

Se o meu sapato me aperta, não interessa
o meu sorriso é o mais sincero que usei
s’inda me falta alguma coisa? Corta essa
nada de mim do outro lado eu deixei
mas, emprestado, me aperta o colarinho
como as palavras que disserem e eu guardei
e a comida que armazeno de mansinho
e a canção que eles cantaram e eu decorei

                     Lady Rose, ma Lady Rose,
                     ma lady, ma Rose, ma Lady Rose

Havia a prata, o clero, o prego, o preto eterno
que orientava, abençoava a reunião
e lá na Igreja, J.C. num lindo terno
quis reclamar – só se falava em promoção
o interesse estava na melhor carreira
ações, comércio, imóveis, Banco do Brasil
o que importa é o dinheiro a vida inteira
eu quis cantar e todo mundo me aplaudiu

                     Lady Rose, ma Lady Rose,
                     Ma lady, ma rose, ma Lady Rose

Bebidas, luzes, vozes, isso é que é viver
pra essa gente, mil presentes, confusão
achei alguém e não sei bem o que vai ser
mas vou me dar, não vou pensar se devo ou não
não vou pensar no que gerou a minha raça
ou se o amor um dia quase nos uniu
o que desejo é que a mulher cheia de graça
que ela me faça o que ela já me garantiu

                     Lady Rose, ma Lady Rose,
                     ma lady, ma rose, ma Lady Rose

                                  Eu não aguento,
                                  é um lamento,
                                  doce tormento,
                                  nesse momento

                    Lady Rose, ma Lady Rose,
                    ma lady, ma rose, ma Lady Rose,

                    me leva em seus braços Lady Rose


Rio, 06/04/1975
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 15/10/2006
Código do texto: T264633

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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