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Passarada

Meu sorriso de criança,
Pijaminha de flanela.
Um correr despreocupado,
Tempo tão desocupado,
Uma vida muito bela.

A pelada todo dia
E a hora do almoço.
A igreja e muito medo,
Acordar de manhã cedo
Pra buscar água no poço.

E as idéias que eu tinha:
Faça aquilo que gostar.
Come muito todo dia,
Corre atrás da alegria,
Chora se ela não achar.

E hoje o meu pensamento?
Crê em tudo da ciência,
Crê num Deus que é um mistério,
Crê somente em cemitério
E vai vivendo de aparência.

Mas Margarida me surgiu
E começaram as alegrias.
Fiz um mundo só de flor,
Achei que achei o amor,
Mas vieram outros dias.

E eu vendia limonada
Pra ter pipa de papel
Pra cruzar e pra vencer,
E hoje para não perder,
Compro o estudo e o anel.

E a nossa bola era de meia.
O nosso campo, a avenida.
Chuva à toa não valia,
Hoje o sol trouxe a alegria
Que passou despercebida.

Mas tem santo de madeira
Nas igrejas de Ouro Preto.
Na TV, noticiamento.
Pátria em desenvolvimento,
E estamos todos no coreto


Rio, 06/10/1973
                                                 
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 16/10/2006
Código do texto: T265440

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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