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Joan Miró. Painting, 1953.Oil on Canvas, 76 3/4 x 148  3/4 inches.
Solomon R.Guggenheim Museum, New York, USA.
55,1420



ALMA CRIANÇA/CRIANÇA DA ALMA - Dueto Renascido
                   
                                                     (convocação geral)                      

Jamais saberia pintar a tua alma//Porque não sei pintar nem a minha;
Somente porque amo a pintura sem sabê-la//Pintando a criança da alma, creio poder vê-la;
Mas acho que posso escrever essa alma//porque assim escrevo também a minha;
Que de tão afim impregnou em mim//E acendeu todos os luzeiros do meu coração-jardim;
Fez-se essencialidade em vida//Bálsamo a amenizar minhas feridas;
É porta de entrada que aponta as saídas//Janelas escancaradas à luz e à vida;
São asas abertas//Com suas luzes e alertas;
Duas grandes asas abertas//Assim sobrevoando a vida;
Como águias brancas//Minha criança da alma;
Ou como aquelas imensas gaivotas de cristal//Que tem sua nave-alcova numa bolha de sabão;
E tem seus ninhos e úteros além da quinta dimensão//Tudo é violeta-amplidão;
Tua alma não tem face//Apenas brilho e imensidão;
O semblante é o próprio coração//Iluminando e clareando a escuridão;
Que se neste instante ainda sangra//Feridas abertas pela vida:
Tem o rosto iluminado-barro espiritualizado//Minha alma tem da vida o sopro azul;
É branca e límpida -azulada a tua alma//água pura da fonte;
É como a chuva caindo//Caindo branquinha do céu;
Cai, se vai escorrendo//Retirando das dores os véus;
E depois vem como o sol radiante//Pintando os ventos de todas as cores;
Derrete como a vela//Guarda a vida como sentinela;
Que se consome a ser Luz//Anunciando a ressureição da cruz;
Deixando respingos dourados em meu rosto aprendiz//Rastros perfumados ensinando-me o caminho, assim me diz...;
Tua alma me faz feliz//Faz-me rir e sonhar com o mundo;
Finda noite de sonho acordado-partilhado//Cavalgo na nave-bolha de sabão como um Deus alado;
De confissão e entrega// Minha criança da alma, assim na vida me carrega;
Onde Deus é careca e tem nariz vermelho//Brinca de cata-ventos e é um eterno escaravelho;
É o grande artista da pureza//Minha alma, sempre criança, com certeza;
Que abre as portas do circo//E todas as portas do mundo fechadas;
Em celestial delicadeza//Sonha e se farta de sua realeza;
Eis que se materializa a beleza//Nesta alma colorida por natureza;
Tua alma tem olhos de lince//Singradores de céus e terras;
Que transpões horizontes sobre Pernas de Pau//Minha alma assim vê o mundo e beija a do Lobo Mau;
Tem Lanternas de Vaga-Lumes//Sempre acesas na escuridão;
Que iluminam escuridões nos corações//E acendem os candeeiros nos altares;
Trapezista que salta  sem medo//Para a criança da alma não existem degredos;
A certeza da Grande Rede de Proteção//É que guarda a ternura deste  coração;
Tudo isso tem a tua alma//Parecida com a minha;
Que exala perfume de rosas brancas//Que deposito sempre aos seus pés;
Escorridos suavemente pelas mãos em simbiose//Todo aroma da criança da alma é pura metamorfose;
Alma de canal dual//É alma irmã, gêmea imortal;
É luta do bem contra o mal//Resgate de muitas vidas;
Alma que deseja eternamente ser amada//Chora as ausências sentidas;
Afora o egoísmo do altruístmo, a percepção//Essa criança da alma derrama lágrimas de solidão;
Que uma bela e grande obra gera platonismo//Entrega, sacrifício, missão;
A sublimação dispensa o toque//Quando a entrega da criança da alma ao coração;
E é preciso compreender//E todas as lâmpadas da alma acender;
Os por quês do inatingível// Do palpável, do sofrível;
Mudar o foco da necessidade//Renunciar da vida as vaidades;
E dizer com muita verdade//Com infinita claridade;
A tua alma//É céu e terra de verdade;
Tem a minha entrelaçada//Com laços de fita branca;
Vamos lá criançada//Convocar nos adultos  a criança;
Os sinos tocam e clamam// O campanário está aceso;
Toda gente grande tem que aprender//Olhar das colunas do céu o seu medo;
A ser pequena para poder crescer//E nunca morrer;
A tua alma ensina//A minha a sobreviver;
Como ser heroína a despeito da ruína//Posto que a chama da vida é eterno reacender;
Que se transformou a humanidade//Em tristeza quando esqueceu a lamparina;
Ela sabe do AMOR DE VERDADE// Tem lugar cativo-liberto na eternidade;
A tua alma convida à esperança//Grita bem alto, amigo-amiga...;
Vai criança - se lança!//Sorri que o mundo te espera;
Faz a tua parte - Transcendência da Arte//Tudo pode recomeçar, uma nova era;
Jamais a descarte// Essa criança da alma é a luz dos olhos teus;
Tome-a como um sopro de vida//Essa criança da alma tem fôlego, é sua guarida;
Sem euforia, mas repleta de magia//Essa criança da  alma é tua grande sabedoria;
Transforma esta poesia//Em água pura dos teus dias;
Num dueto de alegria//Gritando entre campos e montes;
Com pipoca, algodão doce e pirulito//Vai ficar mais forte o teu grito;
Que espanta longe a dor, o conflito//Espargindo aroma celeste aos lugares mais ermos e em atritos;
Já não há coração aflito//Nem mundo tão carente;
O trem passa com seu apito//Meu coração bate silente;
E o que fica é vida renascida//Rios de luz e sóis nascentes;
Na eternidade do instante que é já//Tudo se refaz aqui;
Infinitude do aquietado agora//Vivifica a vida sem demora;
Que refaz a história//Recompondo os sonhos da messe;
Reprograma a memória//Esta criança da alma nunca adoece;
E à tua alma profetiza:VITÓRIA!//Criança da minha alma, tu és a minha verdade, a minha história, a minha vida!.

MARCIA BEATRIZ AMOTTA// ANA  CÔRTES

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 08/11/2006
Reeditado em 08/11/2006
Código do texto: T286097

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Sobre a autora
Lilian Reinhardt
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