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A MULHER DO RIO ABAIXO DO RIO

Quando as nuvens escurecem
e pesam feito chumbo,
e os pensamentos desabam
com todo o peso do mundo
e ao final, em um segundo,
meus olhos deságuam
um pranto de dor, profundo,
a mulher da superfície,
que não conhece o deserto,
que só sabe de planícies,
decreta que agora eu afundo.
Mas a que vive nas águas
do rio embaixo do rio, 
a velha que ainda é jovem,
usa um lenço especial,
tecido de fio de cio,
e seca todas as mágoas,
esquenta a alma, espanta o frio.
Silenciosa como chegou
ela retorna ao seu canto,
o rio abaixo do rio,
a força debaixo do pranto.
A mulher do rio abaixo do rio
nada sabe de planícies,
mas entende o deserto
e sabe que é nas raízes,
no fundo que não se vê,
é ali que a vida insiste,
é na ponta das raízes
que a água da vida resiste.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/09/2005
Código do texto: T51025

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154015 leituras)
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Débora Denadai