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Bebendo o ódio, comendo as serpentes e o desejo

Solenemente reclamo
A dor que me foi concedida
A ferida
Para transformar de vez esta louca vida
Em versos reversos, em rima, talvez poesia
Aparentemente declamo
Traços prognósticos, promíscuos, insanos
Das lágrimas em letras que derramo
Ao sabor da hora bendita
Em que minha dor em tudo maldita
Me apetece e julga meu ser de caráter mundano
Alucinantemente me vejo
Bebendo o ódio, comendo as serpentes e o desejo
Seguindo o escuro cortejo
No enterro
Do meu lado falante e soberbo
Incomparavelmente
O que se sente
É que é vinda de longe esta corrente
De todos que mentem descaradamente
Fingindo o esplendor
Quando é dor o que deveras sente
E o cheiro que sinto deste ópio cretino
Que como à colheradas pesadas chorando e sorrindo
É um cheiro de lírios do campo, de calêndulas vermelhas e orvalho
Espalhados calmamente
No pútrefo corpo escondido no armário
Inevitavelmente
O que nos resta
É tentar sermos melhores: nós mesmos 
Após a sesta
Para que o único bem do mundo que realmente interessa
Não seja apenas mais um grão de arroz de  final de festa
Blog Dois Pernods
Enviado por Blog Dois Pernods em 03/09/2007
Reeditado em 09/09/2007
Código do texto: T636122

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Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 38 anos
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