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O MONSTRO NO ARMÁRIO 

Há um monstro escondido no armário.
Silencioso, não faz ruídos
que delatem sua presença,
não chama a atenção dos sentidos,
vai no sentido contrário
daquele que a gente pensa.
Alimenta-se da nossa ilusão.
Lógicas, pensamentos, argumentação:
Não. O tal monstro não existe.
Mas estão lá, emm todos os armários.
Minha lógica insiste,
teima e afirma o contrário.
No armário de cada um
tem um monstro diverso,
mas eles são todos um só,
não importa a rima ou o verso.
E assim mesmo,
afirmo e penso que demonstro
que sou só eu mesma;
não há monstro.
Nossa negação o trancafia
a sete chaves e cadeados,
enquanto um rosário desfia
de argumentos mal montados.
Até o armário é negado.
Não existe. Que sutil!
Inútil.
O monstro oculto, trancado,
se alimenta em ser negado.
Vive do medo guardado.
Vive de muita cabeça
e de pouco coração.
O monstro.
Escondido em algum armário,
ou preso numa gaveta secreta.
E escapa,
dissimulado,
pela indiscreta janela
dos olhos,
que, descuidados,
deixamos aberta.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 08/11/2005
Código do texto: T68870

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154025 leituras)
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Débora Denadai