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O que gostaria de deixar como legado neste mundo...

Não sei destarte o que gostaria de deixar como legado neste mundo. É muito difícil discorrer sobre isso – a existência como instrumento de aprimoração, seja ele social, cognitivo; mas, sobretudo, espiritual.

Gostaria de às vezes não ser o que sou. Não que não esteja insatisfeito com meu caminho. Ademais, não posso escusar-me atrás de minhas escolhas. Tenho que arcar com o peso de minhas atitudes...

O “não-ser-o-que-sou” significa poder ser um espírito livre, sem os preconceitos que me amarram a esta existência tosca. Poder devanear sem os liames da “moral” esteada pelas instituições sociais construídas em nossa realidade.

Inquirir ou não sobre a lisura ou corruptelas que afligem nossas instituições não é meu objetivo. Quero apenas desabafar, desprender-me tal como Mr. Hyde do senso comum, sem é claro, arvorar-me todo seu aspecto sombrio que meu nobre amigo Stevenson lhe atribuiu.

Ser um espírito livre seria vislumbrar ao longe o Mundo Novo de Huxley, conhecer o caráter de Maquiavel, perseguir a inocência de Exupéry e a sentir a bondade de Cândido de Voltaire.

Seria interessante ter vivido naqueles dias onde o amor, tal qual idealizado por Machado de Assis, regiam nossas veleidades coloniais...

Ah...o amor. Sentimento profícuo e ligado tão diretamente à nossa existência...

Tantos e tantos autores se dispuseram a estudá-lo, dissecá-lo como um cirurgião diante de um mal a extirpar-se. Seria muito mais lúdico se este e outros sentimentos nos fossem ministrados como complementos de nossa vida. Algebricamente medidos, contados, lacrados e com garantia. Esta idiopatia em forma de “soma” seria a solução de nossas mazelas...

Às vezes tenho medo da vida. Tenho medo de acordar, da incerteza que é cada dia...não podemos conduzir nossa existência, apenas respaldá-la.

E nem toda sorrelfa nos dará, de fato, a dimensão do que é este cosmo tão bem compilado na existência de cada ser humano.

Somos um templo. Não daqueles de dimensões arabescas, mas pela espiritualidade que se evoca em nosso ser.

Somos e sempre seremos guiados por esta mão invisível que nos antepõe ao nosso destino...

Seja Deus, Buda, Maomé entre outros: a denominação não importa. O que acredito não é nada perto da plenitude de nossa existência e mais ínfimo ainda se comparado ao meu próximo.

Não sou nem me considero o melhor dos homens, mas também ninguém o é. O que apenas arvoro é o direito de expor-me bem como minhas mazelas e decepções. Extirpar em letras tudo aquilo que me condena a este mundo tão material.

Não! Não serei como os loucos que encontram na insanidade seu refúgio e alento. Nem tampouco como os tolos que no suicídio buscam respostas, encontrando apenas mais perguntas...

Não serei mais um omisso a ponto de relegar à matriz do esquecimento meus anseios com medo da negativa iminente. Serei como um quixote (sem é claro os moinhos de vento).

Honra, Suor e Vitória. Que sejam estes o meu legado. Cultivarei o amor, mesmo em solo inóspito e, se por acaso não o encontre, nada lamentarei...minha estrela é forte.

Fé! Que sejas minha companheira nesses dias ardis e sem alma. Traga-me a força que preciso. O peso de meu destino não escrito me sufoca. Traga-me a poesia que tanto aspiro.

A ti, meu Deus, agradeço pelo caminho que segui até aqui. Não vejo como as coisas poderiam ter sido feitas de outra forma. Obrigado por tudo, por este desabafo...e por estas linhas.

Ad majora natus
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 22/01/2006
Reeditado em 31/10/2006
Código do texto: T102332
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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
67 textos (14588 leituras)
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Alexandre Casimiro