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(imagem de Paulo César Guerra)

A TUAS MÃOS

              
Não sei precisar com clareza quando foi. A verdade é que amei tuas mãos desde o princípio. Amei sem saber a razão, apenas porque a mim se apresentavam como promessas que eu não suspeitava quais seriam. Eram promessas apenas. Indefinidas, incógnitas perfeitas, torneadas como o mapa de dois continentes que eventualmente se juntavam. Continentes que em algum momento de uma história por acontecer iriam receber as águas que mareavam dos meus olhos, em oceanos repletos de dúvidas e medos. Continentes que seriam em outros momentos mais felizes dessa mesma história receptáculos de minhas nascentes abertas pelas penínsulas dos teus dedos em minha geografia ainda um tanto de mim desconhecida.
             A verdade e o resumo é que, desde sempre e desde nunca, já que o nunca contém o sempre e vice-versa, amei estas mãos. Amei não apenas a geografia de continentes que carregam, mas também o toque aveludado que desde sempre suspeitei que teriam. Amei algo que depois me pareceu ser um pendor natural, quase uma vocação para o afago, o ninho onde a gente se aquieta depois da tormenta prazeirosa que, quase contraditoriamente, essas mesmas mãos criam em meu corpo.
            Amei nelas a delicadeza do carinho e ao mesmo tempo a força dos gestos, indício claro da tua própria força. Amei nas tuas mãos o que não suspeitaria amar: amei o conhecimento que elas tiveram de outras geografias e outros mares, mas que ao explorarem meus relevos tomaram um ar de volta ao lar, de saudade de casa, como se já pertencessem ao meu lugar desde sempre...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 14/02/2006
Código do texto: T111702

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai