Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

(Imagem: Relógios Moles, Salvador Dali, 1933)

NÃO TARDES MUITO

            Para que  a película em technicolor e som dolby stereo, se depois me deixarias uma foto muda em branco e preto, quase mais preto que branco? Para que uma inauguração em grande estilo, com direito a flores, bilhetes poéticos se depois o que vai ficando é um verso medida-provisória que nunca chega a ser votado e transformar-se em poema (de)(con)creto? Para que os dias de sonho recheado se terei que passar a pão e água, uma quase greve de fome compulsória? Para que os olhos de céu de verão, azuis e faiscando, se me deixas as noites escuras de inverno por minha própria conta?
          Porque as arrai(v)as miúdas a corroerem os pedaços do meu dia, que sequer sei o que são, mas que dóem feito a fome das horas esquecidas? Não sei as respostas, mas quedo-me à sombra de ti, como a espera das flores vermelhas voltarem. Mesmo que a primavera demore, a árvore ainda há de ficar em fogo novamente. Nos teus olhos, na tua volta, no acordar dos teus ponteiros de minutos que insistem em apostar corrida contra o meu relógio quebrado, parado nas horas em que estavas desperto. Espero, como quem espera acordado pelo sonho que desvaneceu ao despertar pela manhã.
         De qualquer jeito, meu coração é faminto. Não pode, como eu, com a espera. Alimenta-se do que não vê, mas pressente vivo e pulsante. 
          Não tardes muito, te peço.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 17/02/2006
Código do texto: T113044

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154043 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 06:11)
Débora Denadai

Site do Escritor