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ESSE PASSADO...

Ô, Sinhá, vou te contar um segredo: tinha uma mina...Ficava perto de Diamantina, mas não tinha ouro ou brilhante e não existia naquela época di amante...Subia no morro para confessar pro meu eco, mas da danada da pedra só vinha repeteco...Frustrado ia pro boteco e tomava muita água no caneco, porque, minha Sinhá, se a gente chegasse em casa cheirando a cachaça vinha logo a ameaça:" vais ficar de castigo e se fizeres pirraça ponho-te mordaça". Era a "carcereira" que, por vezes, achávamos que não era nossa mãe, mas a parideira. Logo depois de lavrar a sentença ela, com os olhos cheios de lágrimas, dizia:"enquanto teu pai não chega deita, meu filho, um pouco na esteira"...Era assim a vida de um capiau que não sabia tocar sanfona nem berimbau e, depois que veio pra capital, teve que ir subindo na vida de degrau em degrau, muitas vezes degradantes e nada era como dantes... o tempo passou o passa-tempo e os baús de saudades ficaram como exemplos no homem velho... Esta é a vida que se leva embora seja ela que nos leva... saudades... lembranças de quando éramos crianças...são tantas mudanças e inseguranças... esse é o nosso tesouro, a nossa herança... Muitas vezes somos obrigados a, de acordo com a música, dançar senão a gente dança...Alimentamos, sempre, minha Sinhá, a esperança de voltar a ser criança para ouvir Mamãe dizer: "crianças, peguem a lamparina, vão dormir e não se esqueçam de agradecer a proteção Divina". Era essa a nossa rotina, essa menina...Esse é um pouco da estória de uma caipora que entende, agora, que por ter optado pelo computador, o tempo do machado e da enxada, foi-se...

nvelasco
Enviado por nvelasco em 04/03/2006
Código do texto: T118414
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Sobre o autor
nvelasco
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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