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Amor Negro

Queria ser feliz como sonhei mas não sou, porque as sombras se juntam, porque as nuvens cinzentas se abraçam e não me deixam ver o que procuro.

Gostava de apaziguar o meu coração, de esquecer as minhas mágoas, de curar as minhas feridas, de apagar a ideia de que sou apenas o sol morno do final da tarde, que por mais belo que seja não passa de um instante mágico.

Por mais que ame, por mais que o diga, as palavras saem mudas e parecem bater contra uma barreira que não quebra nem mesmo com a força do meu sentir.

Queria tanto acreditar, mas as forças começam a fugir, a esperança vai-se esfumando e o meu coração cansado vai sangrando.

Quanto mais terei eu de caminhar, de lutar, de acreditar, de sonhar para encontrar o que procuro...Porque será que magoar o meu coração é sempre a opção mais fácil? Qual a razão para o quebrarem assim...Mais uma vez só resta seguir apanhando os cacos, tentando sorrir em vez de lamentar e, talvez desistir de amar..

E isto porque o tempo passa, o presente vira passado e tudo permanece igual a si mesmo, inalterável como o movimento constante dos ponteiros de um relógio que teimosamente rodam em torno de um eixo.

Se eu desistir, se eu deixar de ter fé, o futuro pode não ser o que desejo, mas será aquilo que puderei ter e acima de tudo aquilo com que irei contar. Porque não é a Felicidade cinzenta e sombria que eu busco, não são os restos jogados no lixo, não são os dias vazios, nem o amargo da solidão. A minha ilusão é Outra, muito embora eu apenas seja o que sobra quando o sol se põe, o que resta quando a noite espreita, o que existe quando as ruas se tornam vazias, o que resiste quando o escuro afasta a luz.
Sonya
Enviado por Sonya em 05/03/2006
Reeditado em 03/07/2006
Código do texto: T119213
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Sobre a autora
Sonya
Portugal, 34 anos
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Sonya