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CAMINHOS DOS SEIXOS

     

                               

No jardim da minha casa, que na verdade nunca teve um, e na minha lembrança,persiste a alegria que possivelmente povoa os canteiros da vida de quem o teve. Que graça tem as flores sem nome? Que significado terão se seus aromas não nos induzirem á nossas verdades pessoais. As flores são representações de nossas vivências. Os cheiros são os caminhos da memória. Nada representam sem a história de nosso viver. Um bouquet de rosas jogado na calçada, encharcado de cotidiano, é apenas uma intenção descartada. Que destino teria se num vaso de cristal qualquer adornasse  a amargura de uma vida sem amor? Um dia vazio como os dias das pessoas  que labutam, que se acreditam produtivas, enquanto  rosas balançam ao vento e samambaias caem curiosas das samambaiaçus. Nas encostas das montanhas, mosquitinhos e manacás adornam passeios burgueses de domingos dorminhocos, cansados dos segredos, enfim libertos das quatro paredes.
 E assim caminham  minhas lembranças, meu jardim,  meus sonhos, bem-te-vis  sugando vida  e minha vida sendo rolada como os seixos no rio. Lá embaixo, água fria e cristalina  me convida a olhar o céu refletido na sua pureza, meditar, continuar ou morrer extenuado de tamanha beleza inútil.

Humberto Bley Menezes
Enviado por Humberto Bley Menezes em 13/03/2006
Reeditado em 22/08/2006
Código do texto: T122616
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Sobre o autor
Humberto Bley Menezes
Curitiba - Paraná - Brasil
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