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Amar sem Restrição

Amar Sem Restrição.



Quero resistir à tentação e gritar bem alto que agora basta, já não sou a mesma. Já deixei de procurar pelos labirintos da vida minha alma gêmea. Foi uma busca insana e desvairada por momentos intermináveis, que me levavam pelos becos escuros e úmidos de um castelo construído na areia. Quanto vaguei por fossos sombrios, cobertos de águas escuras e poluídas, que provocavam alergia à minha alma em desatino. Quanto vasculhei meus velhos baús cheios de lembranças esquecidas, de momentos que gostaria nunca tivessem voltado à minha memória, que jaziam no esquecimento. Porém, estavam cobertos pela fina camada da sensatez que com um simples soprar do vento ficariam expostos, abrindo crateras intransponíveis. Quantos cacos guardados de  meu coração despedaçado, que  por vezes havia se partido, encontrei-os embalados e lacrados por papéis transparentes expondo suas perigosas bordas cortantes. Quantas frases inacabadas preenchidas por reticências que deixavam inúmeras interpretações, nunca a verdadeira, mas que desgastavam nosso diálogo do dia a dia. Quantos pontos de interrogação faziam-se presentes em nossa consciência nas inúmeras e inflamadas discussões de um final de dia. Quantas vezes as frases “Agora basta! Desisto!”, foram ditas no ardor de um desabafo. Quantos sentimentos frustrados permaneciam inculcados nas paredes de um coração machucado pelas dezenas de vezes que sofria derrotas. Quantos “por quês?”, ficaram sem respostas, pelo simples fato para não nos tornarmos vulneráveis perante o outro. Porém, milhares de vezes tentei voltar atrás. Oh como tentei! Contudo, sempre havia uma barreira que impedia que nosso orgulho fosse substituído pela compreensão. O preconceito de que não deveríamos ceder para não expor nossa fraqueza era inerente em nós. Tudo me impedia de ser eu mesma. O orgulho, o preconceito, o medo de sofrer sem que o outro passasse pela mesma situação. O desafio da derrota, da vulnerabilidade, da fragilidade de um ser em desatino. Eu poderia sucumbir ao seu charme de samurai, à sua bravura de herói desconhecido. Ao seu sorriso que preenchia minha alma carente. O medo de romper a barreira, criada com astúcia, para me proteger de novos dolos. Tudo cooperava para a nossa decadência.

Até o momento que olhando com os olhos da alma consegui enxergar não os defeitos, mas as qualidades do outro. Pelos caminhos tortuosos de sua existência pude ver com clareza a beleza da inocência que ainda lhe restava, impregnada em seu ser. O desejo de ser feliz era um grito calado ressoando pelo emaranhado de túneis escavados pelos desafios da vida. Até encontrar em seu âmago o oásis que nos abasteceria. A fonte murmurejante era convidativa e prometia limpar as feridas mal cicatrizadas, os traumas latejantes. O único  desafio era: Amar sem restrição.
 
mendo
Enviado por mendo em 16/03/2006
Código do texto: T123965
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Sobre a autora
mendo
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