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"O MENDIGO"

À noite é fria, chuvosa e vazia,
os becos são escuros...
e a solidão é cruel, a cidade é cruel.
Não tem nais vaga debaixo dos viadutos
para eu dormir, as pessoas que passam
chamam-me de vagabundo, 
eu que não tenho pouso...nem morada
nem vejo o dia, pois dormir a noite
é perigoso, eu que não ofereço perigo
para ninguém, mas há alguém,
que se incomoda comigo...não para
ajudar-me, mas para me exterminar.
Não me dão bom-dia, não me cumprimentam,
eu sou um invisível para esta sociedade.
Meu Deus! Quanta maldade!
Sou humano e sinto frio, sinto fome...
e respiro o mesmo ah que todos,
nasci igual todos nasceram, a diferença
são detalhes.
Se eu entrar num ônibus e sentar num banco,
ninguém senta junto a mim...se chamo
alguém para informar-me sobre algo,
não me dão ouvidos, e pensam que vou pedir.
Deus é justo! O mundo é justo!
Os habitantes não! Pois só ajudam a quem
não precisam de ajuda.
Há muitos apartamentos em Brasília, 
para abrigar...de graça, quem ganha muito
dinheiro, dizem que é publico...mas,
como publico?! Se eu também faço parte 
desta nação?! Eu cheiro mal, porque não
tenho banheiro para lavar-me, se uso
água da praça...me encaceram, o meu 
banheiro é a rua, o meu teto é o céu,
o meu endereço...bem, não tenho endereço não.
Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 26/03/2006
Código do texto: T128784
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Hugo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
3870 textos (257211 leituras)
185 áudios (36330 audições)
9 e-livros (7402 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 03:17)
Antonio Hugo

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