Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Solidão intrusa

Solidão,
a tua visita não apresses
não permito que me atices,
teu tempo não desperdices.

De mala pronta, sem alarde
vou encontrar a Solitude
lá na praça da Quietude;

aquela sim boa companheira,
diz que, sempre fiel altaneira,
minha opinião vem primeiro.

Mas tu, irreverente Solidão,
chega amargando, de supetão
vestindo a vã comiseração,

impostora, nunca solitária,
com sua equipe em parceria
tentando nublar a melodia,

com tuas sócias egoístas,
tristeza, depressão e tantas
mais subtrações como estas,

fazendo tamanho vozerio
incompatível ao meu vazio,
que vê doçura no sombrio.

A Solitude em mim é amizade,
em ajuste perfeito à liberdade,
fica em mim mas não me invade,

permitindo que eu sonhe
e sonhando me acarinhe,
e no meu rumo embrenhe.

A tua lágrima é alcalina,
já a da Solitude é vitamina,
que semeia e domina

com a ternura que enternece
e jamais alguém a esquece,
lenitiva, chega numa prece.

Solidão, tu és abusada,
chega sem ser convidada,
para roubar-me a alvorada,

que me deu a Solitude florida,
tão minha apaixonada,
em serenata perfumada.

Teu crime é castração,
por impedires a alma de ação,
“sem indulto ou apelação”.

Já entendeste a diferença
entre morte e esperança?,
não venha sem que te peça

e se conforme falida,
a Solitude me é  VIDA,
uma felicidade infinda!

Santos-SP-27/03/2006
Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 28/03/2006
Código do texto: T129620
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Inês Marucci
Santos - São Paulo - Brasil, 54 anos
584 textos (23407 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 20:48)
Inês Marucci