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Tua ausência

Não suporto mais tua ausência. Sobro-me
nessa casa tão vazia. Em  cada canto,
um vestígio. O nosso  quarto, antes,
de cores tão  vivas  e alegres, hoje,
tão sombrio.

A cama desarrumada me faz sentir só,
desalentado. O lençol meio caído ao redor
da cama, exala o teu  cheiro.  Cheiro que
embala, que penetra  até o âmago do ser,
e que não me deixa esquecê-la.

O espelho, um tanto obscuro, ainda  guarda  os
teus   beijos. Beijos ali deixados, ao acaso, sinal
dos teus lábios cor de purpura.  É como se a
cada  noite, ou a cada amanhecer, cada beijo
ali refletido, estivesse a saudar-me.

Necessito voltar a sentir esse quarto brilhando
com luzes coloridas, e o calor do teu corpo a
aquecer-me.  Me ver beijando  tua pele,  teus
olhos, teus lábios, e sentir que cada beijo
refletido no  espelho é uma realidade.

Escutar a água caindo em tua pele,
essa mesma pele que me tiras,
que me escondes. . .

Estremeço, é como se o meu próprio corpo
explodisse,  pedindo aos gritos  teu corpo
sob o meu corpo, recostando, buscando
o aconchego do teu regaço.

Preciso senti-la ao meu lado, em cima de mim,
em baixo, dentro ou fora. Acordada  ou a
dormir, acalentando meu corpo,
velando meu sono.

Preciso do teu corpo por um dia. Meu corpo
reclama, quer mais. Preciso do  teu corpo
para sempre . . .  Não suporto
mais a tua ausência
a agitar-me a alma.


20/06/93
Wilcaro Pastor
Enviado por Wilcaro Pastor em 14/04/2006
Código do texto: T138821
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Sobre o autor
Wilcaro Pastor
Coronel Fabriciano - Minas Gerais - Brasil, 65 anos
489 textos (37596 leituras)
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