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(foto de Ricardo Faria)

MEMÓRIA PÉSSIMA


          Eu memorizo um monte de números de telefone sem fazer o menor esforço. Eu guardo de cabeça quase todos os números que o mundo me atribuiu desde o dia em que vim ao mundo. Eu me recordo com facilidade praticamente toda a lista do supermercado sem precisar da própria. Eu memorizo o nome completo e as datas de aniversário dos meus ex-maridos e todas as adjacências, incluindo as irmãs. Em contrapartida, eu esqueço fácil quando algo que me fere vem de alguém igualmente desconsiderável. Esqueço, depois de lavar a alma com todas as lágrimas necessárias, as dores de um amor que me feriu e ainda me compadeço do sujeito que as provocou. Jogo, sem piedade, na lata do lixo do esquecimento, todas as fotos de momentos que já se foram e que, portanto, não fazem a menor diferença no meu presente e menos ainda no futuro. O que foi bom não precisa de foto pra ser lembrado. O que foi ruim, jogando fora a gente nem se lembra mais. Ou lembra menos e não dói tanto. Eu não esqueço o carinho e atenção recebidos de quem eu amo, como também não esqueço o olhar de amor dessa mesma pessoa. Mas eu sou um horror: reconheço quando este olhar muda, reconheço quando a atenção não é a mesma. E aí , nunca mais esqueço.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 17/04/2006
Código do texto: T140606

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai