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Do pensamento sem razão ou delirar é sempre bom.



Não quero mais brincar de pega-pega. Por favor me alcança o guaraná? Não. Não quero mais. Outro dia, você lembra? Pois é, quase rolei pela escadaria da Sé. Eu sei que seria muito engraçado e essas coisas, mas imaginou tudo que poderia ser absorvido enquanto eu rolasse? Mijos e mijos de sei lá quem, além de escarros. Tudo grudado na roupa. O cheiro pra lembrar por dias e dias. Não quero mais. Ainda acho melhor aquela outra brincadeira, esconde-esconde. Você me procura, eu me escondo ou vice-versa. É bem melhor por que a satisfação de encontrar é de disparar o coração, além do mais não precisa correr, ou melhor, não precisa correr tanto.  Parece que vai chover. Eu adoro chuva. Daquela bem grossa que cai lavando e levando tudo. Não diga que é trágico só porque algumas famílias ficam sem casa. Não estou falando disso. Estou falando só da chuva. O estrago que ela faz é outra coisa. Nem quero saber. Na verdade não quero é saber que a chuva possa fazer estragos. Pra mim é água de limpar e beber e molhar e esfriar os ânimos nesses dias de tanto sol e plexos solares. Ouvi dizer que amplexos são mais gostosos. Enfim, deixa isso pra lá e dá uma coçadinha aqui nas minhas costas porque não alcanço. Isso. É bem ai. E tem gente que diz que não tem nada melhor do que fazer sexo. Poxa!. Uma coçadinha no lugar certo, naquela hora que parece que tudo vai acabar, é bem melhor que sexo com sorvete e potes de pipoca. Só não sei se é melhor que poder fazer xixi sem um fio pendurado-preso no canal da uretra. E ainda dizem que tem pedra que vale dinheiro. Vou colocar a minha à venda. Natural, fabricação própria. Peça de colecionador. Eu sei que já passou, mas é bom falar vez em quando (ou seria vez enquando?). só para aliviar. O cigarro está na gaveta. Pensei em parar, mas a questão é de gosto e gosto e pronto. Senta aqui que hoje o frio vai ser de lascar e meus pés congelam porque odeio usar meias. Sem televisão. Hoje quero apenas falar e falar e falar e falar mais um pouco, então prepare seus ouvidos. Coisas de mulher. Nem é. Seria mais alguma coisa entalada precisando sair por algum buraco. Hoje voltei a viver com alguma calma. Não que não tivesse vivido outros dias, mas sabe, é tão bom sentar e esticar as pernas sabendo que, até agora ninguém está passando mal. Espera um pouco. Assim. Deixa eu encaixar minha cabeça nesse pedaço de ombro quase peito tão macio. Ah! Pronto. Agora me sinto segura. Tranqüila. Mais ou menos. Ainda quero saber o que canta ai dentro do seu coração mesmo que seja bobagem querer saber. Sou curiosa. Não fala nada. Não precisa. Um beijo? Claro. Todos, mas antes deixa fechar os olhos para parecer real sua boca e seu gosto. Agora sim. Estou pronta. Abre a porta do elevador que chegou seu andar. Amanhã a gente se encontra de novo. Meu nome? Pra que? Não estrague meu delírio que ainda preciso trabalhar.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 17/04/2006
Código do texto: T140784

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury