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    FLAMBOYANTS SEM MÁSCARAS
(dedicado a alguém que saberá perfeitamente que é pra ele...thanks, dengoso)

      Pedi que você pusesse a máscara, e pra minha sorte, você tem mais juízo que eu e continuou assim: cara limpa, riso aberto, coração escancarado e se divertindo com o que eu tentava ocultar, lendo minhas entrelinhas como você sabe fazer tão bem. Tua cara limpa e tua fala tão clara, mesmo nos teus silêncios foram derrubando muralhas que eu tentava construir, defendendo-me (ou tentando) de novas decepções e novos estragos na minha casa já meio bombardeada e meu jardim já meio relegado ao mato. Não, você já tinha reerguido sua casa e seus jardins tantas vezes, que ria carinhosamente ante minhas poses de Imperatriz e meus pés fincados num chão que eu julgava firme, mas que você reconhecia como areias movediças. Já havia visto este filme antes. E continuou me mirando com aquele olhar sem máscara e atirando, feito uma metralhadora, todos os seus sentimentos sem se preocupar se haveria retorno. Atirou todos os “amo você” de todas as formas: na fala, nos olhos, nas atitudes cúmplices e parceiras, e , por que não? Em carinhosas, mas merecidas broncas. 
     Disfarçou com dengos o rolo compressor que você é, passando em cima e levando à poeira tudo o que restou da casa semi destruída. Cavou e revolveu a terra do jardim com suas próprias mãos, retirando tudo que não nos interessava e começou a plantar enormes árvores floridas de confiança no deserto. E com uma confiança inabalável naquelas afinidades que só gente como você e eu consegue entender, plantou lenta e pacientemente a confiança num “nós” que eu relutei em crer que poderia acontecer. Não, que sorte a minha. Você não quis atender ao meu pedido e continuou sem a máscara. Mas eu te pedi e ainda te avisei: não sei se depois que me acostumar, vou saber ficar sem isso. 
     Agora, depois de todo este trabalho tão bem feito, uma luz enorme se formou dentro de mim e eu recuperei a confiança que havia perdido na humanidade. Voltei a crer que este pode sim, ser um belo jardim, de dois, que afinal é o que você está fazendo de nós. Voltei a achar que há flamboyants e flamboyants. E você plantou o mais lindo deles: o mais vermelho, a árvore em fogo constante. Obrigada por não me ouvir. Obrigada por não colocar a máscara. Você venceu num jogo estranho que você joga bem: ninguém perde, só ganha.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/04/2006
Código do texto: T145114

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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