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DE PODAS E FODAS

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar.
E a voltar sempre inteira."
(Cecília Meirelles) 

         
 Eu sou má. Terrivelmente má. Não com o resto do mundo. Acho que o resto do mundo na verdade nem sabe que eu existo e se sabe nem tá aí, razão pela qual não tenho como ser má com essas pessoinhas, right? Ok. Mas sou malíssima pra mim mesma. Eu, Dona Cecília, à custa de muita poda – licencinha, não é bonito mas rima – e muita foda (não aquela gostosa), andei dando uma de primavera na vida. Aprendi a deixar que me cortassem, eu própria costumo me cortar na carne, dar minha cara a tapa, encarar o bofetão pra ver quanto agüento. 
          Ainda que eu não fosse esta criatura assim ruinzinha pra mim mesma, estou absolutamente convencida que encontraria almas caridosas com muita disposição pra fazer esse serviço por mim: podando, cortando minha carne e minha alma, fodendo gostosinho (pra quem tá fodendo) com meus sonhos mais lindinhos e, é claro, colocando o maior número possível de pregos na estrada pra me furar os pneus. Ok, folks. Tenho que agradecer vocês também. Só que além de má, sou meio pragmática. Já que vão me ferrar, eu me ferro antes porque, com a devida licença poética de uma criatura que está me ensinando a gostar dele pra cacete, quem cria o monstro mata o monstro. Assim, que venha a primavera, com todas as podas e todas as fodas. Eu agüento. 
          O bom da brincadeira é que , como as plantas, quanto mais se poda, mais lindas e fortes elas retornam. E florescem desbundantemente. Podem me chamar de doida, mas podem-me, fodam-me. Vocês não têm a menor idéia do deslumbre que vem depois. Agora, quem estiver do meu lado na hora da poda e na hora da primavera...bem, crianças, terá por perto uma coisa difícil de esquecer. E é uma foda. Das boas.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/04/2006
Código do texto: T145180

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai