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A AVE MIGRATÓRIA



Sou apenas uma ave migratória que ruma sem destino entre as nuvens e paisagens de um mundo tão belo e, ao mesmo tempo, confuso.

Enquanto sobrevôo, fico observando os homens e seus absurdos sobre a terra.

E, como uma ave sonhadora, não consigo compreender por que os homens se deleitam em criar divisões entre si. Criam suas crenças, tradições, costumes, nacionalismos, ideologias, etc, para se dividirem e não se entenderem em uma única palavra. Jamais chegam a um consenso sobre coisa alguma, porque seus orgulhos não o permitem.

O que deveria ser um somatório de idéias e opiniões que se complementam, torna-se um labirinto confuso de muros petrificados que provocam tensões, rivalidades e xenofobias ancestrais. Os homens preferem se pautar nas diferenças às semelhanças entre si, pois deveriam saber que são todos iguais em suas tolices.

Preferem enxergar o mundo a partir da fresta de sua caverna escura a ter que se abrir ao sol e deixar que seus raios iluminem os grilhões da incompreensão humana.

Por que os homens preferem fazer da Aldeia Global uma verdadeira Torre de Babel? A quem isso interessa? A mim não, pois não gosto de perder meu curto tempo de vida com discórdias e rivalidades inúteis.

Quando aterrisso ao chão para questionar estas coisas, os homens me hostilizam, jogando paus, pedras e espinhos contra mim. Eles me chamam de "forasteiro", "intrometido" ou "intruso", ou então me mandam de "volta pra casa, pra minha terra" (o discurso é sempre o mesmo para os que não sabem dialogar).

É tudo uma questão de ponto de vista. Como um pássaro, como eu, pode ser um "forasteiro" em meu planeta? Como posso voltar pra minha casa, se já estou nela? O único teto que me protege é a abóbada celeste; a única sombra que me apraz é aquela que as nuvens me proporcionam.

Os homens se dizem fortes e poderosos; mas, daqui de cima, eu os vejo como formiguinhas tão frágeis que um simples sopro de vento é capaz de derrubá-los, destruir suas casas e cidades inteiras.

Os homens dizem que são donos de suas terras, entretanto apenas as pedras, as rochas e as montanhas vivem há milhões de anos no mesmo local, enquanto que eles servem apenas para alimentar a terra onde vivem, no final de suas existências tão breves.

Realmente eu não consigo entender a complicação dos homens diante da simplicidade da vida. Retorno imediatamente ao meu vôo, antes que me depenem ou me façam em picadinhos.

Continuo sobrevoando suave e deliciosamente entre as nuvens até me perder no horizonte de uma atmosfera límpida e serena. Não vou mais me preocupar com os homens; eles que se percam em sua tola cegueira.


Pedro Ernesto Prosa e Verso
Enviado por Pedro Ernesto Prosa e Verso em 01/05/2006
Código do texto: T148329
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Ernesto Prosa e Verso
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