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LAMENTO DE UMA VIAGEM


LAMENTO DE UMA VIAGEM




Lá no sertão, largado na noite,
transforma-se em semente desconhecida,
esse homem rumo ao futuro.

Empobrecido pelo dia,
solitário especulador da sorte,
surge em quadras e rimas,
como cantador desassombrado.

Não há males que lhe destrua o caminho,
mas caminhos que lhe cegue os olhos.
Entre o bem e o mal somente:
-A fé encarnada nos sonhos;
-Nos braços de um santo;
-No lombo de um cavalo;
-No apear para uma prosa;
-No repente de dois peões;
-Na força que não espera o destino;
O avesso de uma realidade,(E assim prossegue a trama).

Do sertão para o descaso,
por entre gritos de apelo (entre o mato e o morro),
a falsa visão do presente,
na hipócrita senha do progresso.

De cantador singelo ao largado homem da vida.
Retirante confesso do mundo,
segue a margem da mentira,
no sangue podre da multidão.

Agora, semente plantada,
largada a esmo nas trevas.
Dela, serve-se como escudo (pobre mas não coitado),
nos atos de um espírito revolto.
(mais um retrato falado no jornal)

Da alma surge nobre presença,
porque havia no passado e haverá sempre de aparecer.
Uma epopéia como apelo final de uma vida,
por derradeiro engano,
como se desculpar por ter nascido.
Morre cercado de flores(nunca de amores),
entre a notícia e a pouca saudade
(talvez apenas dos abutres).
Sarcástica homenagem...
Tiros e pólvora de gratidão.

E como presente maldito,
nos descendentes que agora vem,
outra história que nasce.
Um presente em forma de plágio.

Desses outros atores nada se espera,
uma mínima mudança que seja,
no ponto final dessa herança.

Porém como destaque,
essa quase totalidade do mundo.
Honrado grupo da espécie.
essas pobres carnes passadas,
enterradas a tempo e a hora.
Guerreiros decididos,
com a força de um touro cego,
animal que se cria para um final pré-concebido.

Mais há de chegar o momento,
quando a força dos ventos,
reunirá essa desgraçada sobra.
Como grãos de areias lançados ao ar
cegarão os poucos olhos iluminados.

Daí, não há como prever o que será do amor,
Porque como divino, somente o próprio Deus e a sua vontade.

Porque foi assim, que tudo começou.

Jose Carlos Cavalcante
Enviado por Jose Carlos Cavalcante em 10/05/2006
Código do texto: T153890
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Sobre o autor
Jose Carlos Cavalcante
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
732 textos (54097 leituras)
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Jose Carlos Cavalcante