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Sou Loco?

Estava lá eu caminhando, com uma bota de couro marrom, meio gasta, com as solas cheias de lamam, que sujavam a bainha de uma calça jeans velha e desbotada, estava lá eu caminhando observando aqueles paralelepipedos separados por um espece de limo, chei de óleo, poeira, cuspe e escarros de cavalos. Estava chevendo fraco, uma penumbra se mantinha por toda aquela rua que escolhera por ser bela, por ser negra, pois pelo o que sinto, o negro é a cor mais feliz, e a rua era negra, o chão enegrecido por causa de derivados do petróleo jogados ao véu, as casas sujas por causa de fogueiras dos mendigos e por causa da marca de sapatos dos vagabundos que ali espreitam; até a lâmpada era negra, pois a única luz que aquele lugar poderia ter era enegrecida por causa da respiração progressista, até de dia isso ocorria. também não sabia eu o porque percebia aquelas coisas, não sabia porque pensava daquela forma, porque o negro se tonou ruim, porém feliz. Eis que decidi entrar numa porta verde, sem marcas, a porta era um pouquinho velha, tinha um sino que servia como campainha, a parede no qual se encontrava tinha uma cor verde muito sigela, tão singela que se confundia com um tom de azul, mas aquele local era triste, eu sabia disso, mas não o porque, ouvia vozes cantando, mas aquilo me era estranho, de meu lar, fonte de minah felicidade, anoite se ouvia o noticiário, a noite não era apra ser desperdiçada com conversas tolas; então entrei num ato de compaixão, para tentar tornar aquelas pessoas felizes, no hall de entrada percebi que ali era um hospício, as paredes eram pintadas com diversas cores, das mais fortes às mais fortes ainda, era tudo tão cheio de vida, porém tão triste, então me dirigi a uma menina, ela possuía 11 anos, tinah um rosto branco enrosado, cabelos finos e um pouco escassos, seus olhos azuis eram interrompidos por uma pequena marca marrom no olho esquerdo, então perguntei o que ela fazia alí, ela era chamada de loca, porque não queria aprender a bordar, e sim brincar com bonecas, era loca por que amanva e conversava com sua boneca... Sim, entendi, completamente louca, e a via com olhares de tristeza, por incrível que me parecia ela percebeu meu olhar, seus olhos a denunciavam, encontrei ali uma infinidade de objetos e cores, ali encontrei uma ternura que me fez umidecer os olhos, não sabi porque isso acontecia, não sabia o porque seus olhos machados faziam algo que eu não conhecia... Ela me observou por cerca de 3 segundos e perguntou porque a olhava daquele geito, respondi dizendo que aquilo tudo era muito triste, eis sua resposta:

-Sim, para você é muito triste, é triste porque você percebeu que você é, e o que você achava que era não é!

-Não - retruquei - é triste pela situação de vocês, os loucos poucas oportunidades tem!

-Senhor - diz ela - somos loucos porque ousamos questionar, somos loucos porque escolhemos o verde ao cinza, somos loucos porque escolhemos ser, somos louco porque somos diferentes!

-Não - disse à ela - vocês são loucos por questões cerebrais, eu sou normal, vocês não batem vem.

-Somos loucos porque vemos coisas que vocês não vêem, por isso nos escluem, somos locos porque vocês tem medo de saber!

Naquele instante preferir ir embora e deixa-la ali e saí pela porta, então me perguntei; será que ela realmente é loca? Foi aí que percebi, estava eu questionando, estaria eu louco, aquela sensação, a de questionar, era tão diferente, e gostei, é algo interessante, questionar, então fiz outra pergunta, porque o negro é belo?
Renan Reis
Enviado por Renan Reis em 11/05/2006
Código do texto: T154518
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Sobre o autor
Renan Reis
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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Renan Reis