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(imagem: carta do Sucesso, do Osho Zen Tarot)

CAVALGANDO UM TIGRE 

     Eu não sei que sensação estranha é essa. O que sei é que o tempo, esta coisa de apenas cinco letras dura menos que seu próprio nome. Passa depressa às vezes como um sanduíche engolido às pressas e que deixa a gente com fome. Eu não sei que sensação é essa. Sequer sei se isso tem nome. 
     Sou daquelas que costuma parar pra pensar. E descubro que tenho uma culpa oculta. Nem eu sabia que tinha. Cometi o crime tantas vezes e passo anos no divã tentando descobrir o criminoso que sou eu própria. Páro para pensar e nunca vi as cinco letras do tempo escorrendo no vão dos dedos. Perdulária, disfarçada de cautelosa, perdi o tempo que foi indo enquanto eu parava pra pensar. Perdi as letras do tempo e agora nem que quisesse não as encontraria mais. Depois que elas passam, o tempo é outro e junto com ele, as coisas e eu. 
     Tenho diante de mim o desafio de amarrar estas cinco letras com outras seis: eterno. Tenho que pensar num jeito de eternizar este agora (cinco letras...de novo!!!) para que não se perca no efêmero e no impermanente. Mas desta vez pensarei sem parar pra isso. Sinto que cavalgo um tigre. Sei que ele vai rugir quando descobrir o que pretendo. Mas o tigre, talvez como o tempo, tem uma rédea. Por hora vou apenas jogar um pedaço de carne mais à frente do bicho enquanto eternizo a cavalgada.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/05/2006
Código do texto: T158864

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai