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Mistérios da vida!

São 21 anos de saudades, sem poder tocar teu rosto lindo, sem ouvir o doce som de tua voz, sem poder ver teu lindo sorriso e o verde de teus olhos.

Ainda me lembro de quantas vezes em teu colo me deitei e chorei, e tu minha adorada, com sua voz mansa, acariciando meus cabelos me pedias calma, me dizias que tudo ficaria bem, acalmavas minha alma, e eu, em teu colo adormecia, como uma criança protegida por teu amor. 

Me lembro do dia em que te foste, a dor ... ah! a dor, era tão forte que minha voz não saia, somente lágrimas riscavam minha face, tu ali inerte e eu agarrada a ti ainda sentindo o calor de teu corpo, quando tentaram me tirar de perto de ti explodi, não me contive, a dor...

Te vesti, penteie teus cabelos te perfumei com tua lavanda que tanto gostavas, em meus braços te ergui e te coloquei em teu ultimo aposento para teu eterno descanso, te cobri de rosas brancas como tu sempre me pediste.

A dor de te ver partir, ainda dói, dói em mim ...

Quando te tiraram de mim não tive forças para mais nada, fui ao chão e lá me deixei ficar, quieta calada, nada via nada ouvia eu não estava lá... 

Quando a mim voltei estava em casa, em teu quarto, ouvia ao longe uma voz me dizendo:

Mamãe quero meu leite, o nené está com fome.

Reuni forças e me levantei, e do nosso bebe fui cuidar, ele não tinha culpa nem sabia o que estava acontecendo, me perguntava onde estava a vovó, eu não sabia dizer.

Ele foi tua ultima alegria, me lembro do dia em que o fui buscar, quando entrei em nossa casa com ele em meus braços só tinha 3 dias de nascido e o coloquei em teu colo e tu minha amada sorrindo o recebeste como teu neto, vi teu amor por ele em teus olhos, ele não é de nossa carne é do nosso amor, foi teu companheirinho até o teu ultimo momento.

Os dias foram passando e tua ausência doía mais ainda, eu cada vez mais inerte, sem ação, tudo era mecânico.

E fui me entregando cada vez mais, as forças me faltavam, foi quando decidiram me levar ao medico, e lá após vários exames a resposta: 

Você está gravida!

Não podia ser, era um engano, eu não podia ter filhos!

Um ultrasom e lá estava, "ela", a única menina da família a tua neta tão desejada por ti.

Só então me lembrei de uma frase que me foi dito:

"Para que uma possa vir a outra terá que partir"
Compreendi tudo e revivi.

Olho para ela e te reconheço em tudo, o sorriso, o olhar até o jeito de falar.

Mistérios da vida!

***

ÐäMå Ðë ÑëG®ö

Apenas uma mulher que já riu, amou, se entregou e chorou.
Escrevo o que sinto, como sinto quando sinto.
Longe, muito longe de ser uma poetisa sou apenas alguém que sente!

***

Beijos
Dama De Negro
Enviado por Dama De Negro em 22/05/2006
Reeditado em 03/09/2007
Código do texto: T160909

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Sobre a autora
Dama De Negro
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Dama De Negro