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Alegria, alegria?

Alegria, alegria?

I

Estrelas giram diante de meus olhos. Estrelas que brilham uma luz apaixonante, embriagadora luz que confunde os sentidos, em uma noite que já não há mais noite, as pequenas brilham cada vez mais distantes, cada vez mais esparsas, cada vez com menor brilho. Uma coroa começa a nascer no céu do oriente, de onde o calor de seus olhos apaixonados aquece minh'alma esperançosa...

II

Será que vim parar no lugar errado? Eu nunca imaginei ler algo assim nesse lugar. Parece tão, tão... Tão romântico, tão sensível. Peguei o livro errado? Não parece! Deixe-me ver ... Não, estou no lugar certo, mesmo com essa estranha declaração de amor. Ele pode ter batido a cabeça, ou pode ter dado de cara com o filho de Vênus, afinal é, como eu sou, humano, e o amor é a maior aspirção de todos nós. Isso está ficando horrível, a alegria a gente vive, e não consigo transporta-la para a indiferença do papel. Essas folhas em branco, que poderiam como as folhas das belas árvores do meu quintal, sorrirem pra mim, estão nesse momento estaticas, sequer se movem. O vento norte não sopra nessa casa de doces. E eu escrevendo, nem sei quanto vou aproveitar disso aqui, nem sei se algo é aproveitável. Mas insistiram...Estou cumprindo minha promessa, já disse muitas vezes, não escrevo por mim mesmo, ou escrevo? Que dúvida cruel, estou aqui, fazendo o que mais gosto de fazer, no completo ócio, elas, minhas belas corujas noturnas me abandonaram, tudo para que eu pudesse cumprir minha promessa, e boca que fala, e dedos malditos que escrevem da próxima vez darão com os burros n'água. Oras, até que não é tão ruim descrever amenidades, a tragédia está aí, aos olhos de todos, estaria a felicidade também? O papel não se move mas elas, as árvores que me embalam a manhã, orquestrando junto com o vento e com o pequeno regato que corta meus pensamentos, nessa luminosa manhã, pois não há noite sem o dia, não há dia sem a noite, não existe, simplesmente não existe...O que é esse prisma? Não são mais lágrimas de tristeza, não, elas ficaram para trás, são as pequenas gotas d'água que meus amigos jogaram contra mim, e formam um magnifico mosaico, uma eterna aliança que jamais se romperá, enquanto iris passear pelos céus em seu arco de beleza, que empresta a cupido para que ele espalhe pelos campos o doce aroma do amor.

III

Perae, não querem que eu escreva? Pois então, essa água destruiu todo o meu trabalho, vejam quantas linhas estão borradas. Horas de trabalho perdido, ou melhor ganho, simplesmente pela companhia de vocês.Eu faço auto-ajuda, escrevo auto-ajuda, literalmente; tudo que escrevo torna minha vida mais feliz, não parece, lendo o que escrevo não parece que sou feliz, mas sou, sou feliz simplesmente pelo fato de viver nesse mundo, e contar com a presença de pessoas como vocês, que apesar de tudo, estão comigo, por isso faço isso. Por isso escrevi aquele texto ali em cima, que provavelmente não lerão, afinal dissolveram meus papéis... Mas se conseguirem ler me digam, não ficou horrível? Não sei escrever assim, a tristeza, como diria Brás Cubas, é a tinta que tempera minhas fábulas.
Julien Mayfair
Enviado por Julien Mayfair em 31/05/2006
Código do texto: T166972
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Sobre o autor
Julien Mayfair
Goiânia - Goiás - Brasil
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